terça-feira, 11 de março de 2008

A questão fundamental que se impõe é a de definir se um embrião é ou não um ser vivo e, em caso afirmativo, desde quando. Nosso primeiro impulso é o de transferir a pergunta para os biólogos. Afinal, são eles que dedicam a vida a examinar justamente a vida e deveriam reconhecer seu objeto de estudo quando se deparam com ele. Mas, infelizmente, da concepção ao nascimento, não há um instante biológico privilegiado, em que se possa dizer univocamente: a partir de agora está vivo.
Se o critério é dado pelas determinações genéticas, a vida começa na concepção. Se o que importa é respirar, vale o nascimento. Haveria uma miríade de outros momentos sugestivos, como o início das batidas do coração (quarta semana), a possibilidade de detecção de ondas cerebrais (seis semanas), parecer-se com um bebê (12 semanas).
Grupos conservadores cristãos não o aceitam porque entendem que a eliminação voluntária de um embrião configura uma forma de assassinato. Embora eu não seja exatamente cristão e menos ainda um conservador, também sou contra homicídios, se não por razões morais, pelo simples fato de que eles desorganizam a sociedade, sendo, assim, algo a ser evitado. E se, para mim, são principalmente considerações pragmáticas que justificam o Direito, para os cristãos, o que legitima tudo são as Escrituras, no caso do aborto o "Não matarás" do Êxodo 20:13. É evidente, contudo, que mesmo para o mais pio católico esse preceito não pode ser tomado como um absoluto. Todos concordarão que ele não vale, por exemplo, para animais e plantas, ou a própria humanidade não teria de que alimentar-se.

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